Captulo 8
AGRESSO

O comportamento agressivo sempre foi objeto de interesse por parte dos psiclogos.  bvio que o
comportamento agressivo representa um problema de extrema gravidade e importncia para a 
humanidade. Com o aumento progressivo nas ltimas dcadas dos instrumentos de destruio, com 
as circunstncias da vida urbana e da superpopulao nas grandes cidades, o potencial destrutivo do 
homem tornou-se ainda mais perigoso. Consideramos pois este tema como dos mais importantes a 
serem tratados pela Psicologia do Desenvolvimento, pois  de importncia crucial para a prpria 
sobrevivncia da espcie humana que se compreendam os mecanismos pelos quais a agresso  
adquirida e mantida, para que possa control-la. 
Em primeiro lugar, deparamo-nos com o problema da definio. Uma das definies tradicionais de 
agresso  a proposta por Dollard, Doob, MilIer, Mowrer e Sears (1939): Agresso  qualquer 
seqncia de comportamentos, cujo objetivo  causar dano  pessoa a quem  dirigida. A maior 
parte das teorias e pesquisas posteriores adotou o elemento objetivo de causar dano como um 
aspecto essencial da agresso (Berkowitz, 1962; Feshbach, 1970; Sears, Maccoby e Levin, 1957). 
Bandura (1973), um dos mais importantes tericos do comportamento agressivo na Psicologia atual, 
considera que uma das maio 18 181 
res limitaes dessa definio  pressupor que a agresso serve apenas a uma finalidade de infligir 
dano. 1laveria porm outros tipos de agresso. Outros autores, como Berkowitz (1965) e 
Feshbach (1970), tentaram solucionar este problema distinguindo entre dois tipos de agresso, a 
agresso instrumental, que seria aquela cujo objetivo  obter recompensas extrnsecas (e no o 
sofrimento da vtima, como no caso de assaltar para roubar), e a agresso hostil, que seria aquela 
cujo objetivo nico  o de infligir sofrimento a outrem. 
Como era costume antigamente enfatizar-se o papel dos instintos agressivos, a agresso 
instrumental foi pouco estudada. Mas se deixarmos de fora a agresso instrumental, poderamos 
dizer que qualquer ato de guerra seria mero ato instrumental e no agresso verdadeira ou hostil. 
Por outro lado, a distino  muito sutil, pois a agresso hostil tambm  um instrumento para se 
obterem resultados de sofrimento alheio. Um ato agressivo sempre trar outras conseqncias alm 
do sofrimento da vitima. Como classificaramos o ato de um delinqente que esfaqueia e mata um 
transeunte desconhecido, sem ser para roubar, simplesmente para demonstrar valentia perante o 
grupo? Segundo Bandura, a agresso seria melhor definida como comportamento que resulta em 
dano pessoal e em destruio de propriedade. Este dano pode ser tanto psicolgico (sob forma de 
desvalorizao) tanto quanto fsico. Alm disso,  preciso considerar-se o contexto social. O 
comportamento de indivduos que ferem outros enquanto desempenham uma funo socialmente 
aprovada, por exemplo, o comportamento de dentistas e cirurgies, no seria considerado agressivo. 
Da mesma forma, o comportamento de operrios que derrubam uma construo velha no seria 
considerado agressivo. A teoria da aprendizagem social consfdera, portanto, tanto o comportamento 
como os julgamentos sociais. 
TEORIAS DE AGRESSO 
As primeiras teorias psicolgicas procuravam explicar o comportamento humano principalmente em 
termos de foras instintivas. Na poca em que estas teorias estavam em voga, muitos autores 
acredivam que o ser humano  por natureza agressivo. Embora a idia de instinto tenha h muito 
cado em 
descrdito, h remanescentes dela nas teorias que ainda falam em impulsos agressivos, 
principalmente entre os seguidores da psicanlise ou da etologia. 
A POSIO PSICANALTICA 
Freud inicialmente considerou a agresso como parte do instinto sexual ou como uma resposta 
primria  frustrao de comportamentos de busca ao prazer ou de fuga da dor (1920). Nesta 
concepo inicial, Freud falava em dois conjuntos de instintos: os sexuais e os de autopreservao. 
Mais tarde, a fim de melhor abranger fenmenos que no se enquadravam nessa concepo, tais 
como o sadismo e autodestruio, Freud modificou sua concepo sobre os instintos, classificando-
os em dois grupos: os instintos de vida (Eros), que compreendiam o instinto sexual bem como os de 
autopreservao, por um lado, e os instintos de morte (Thanatos) que compreendiam os instintos de 
agresso e de destruio. A autodestruio era to importante, que a agresso a objetos externos 
era considerada decorrente do impulso  autodestruio. As implicaes dessa teoria no conduzem 
a muito otimismo. O prprio Freud (1922; 1950) afirmava que j que a destruio satisfazia um 
impulso instintivo, seria infrutfero, tentar eliminar a agressividade na tentativa de poupar  
humanidade guerras futuras. No entanto, a posio de Freud  atenuada pela idia de que a 
agresso poderia ser canalizada e sua expresso diminuda e modificada para formas socialmente 
mais teis. Comentando sobre o impulso autodestrutivo, diz Bandura (1973): 
Poucas pessoas aderiram  posio de Freud, mesmo entre os entusiastas da teoria psicanaltica. 
Aparentemente, a noo de que as pessoas possuem um impulso inato lutando constantemente para 
destru-las excedia os limites da credibilidade (p. 13). 
Gillespie (1971) em um recente congresso psicanaltico sobre agresso comentou que a maior parte 
dos psicanalistas aceitou apenas em parte a proposio de Freud, considerando a agresso como um 
impulso instintivo, porm rejeitando a idia de um instinto de morte autodirigido. Em termos 
cientficos, o maior problema reside na no-testabilidade dessa proposio. No se pode testar 
experimentalmente se existe um 
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impulso inato  agressividade ou no. Alm disso, os impulsos instintivos, concebidos como sistemas 
geradores de energia, deveriam ter uma fonte biolgica identificvel, tais como a privao de comida 
no caso da fome, privao de gua no caso da sede e hormnios e estmulos externos no caso do 
instinto sexual. Sua intensidade  portanto modificvel externamente e  mensurvel, pelo menos 
indiretamente. Tal no ocorre com o chamado instinto agressivo. 
A POSIO DA ETOLOGIA 
Os trabalhos dos etologistas levaram a uma renovao do interesse em explicaes instintivistas da 
agressividade. Lorenz (1966), com seu livro intitulado On Aggression,  um dos principais nomes 
dessa corrente. Outro autor, Ardrey (1966), anteriormente autor de peas teatrais, contribuiu para 
essa linha de pensamento, popularizando a noo de imperativo territorial, sustentando que as 
pessoas so motivadas por um instinto de propriedade. Lorenz considera que a agresso envolve um 
sistema de instintos que gera sua prpria fonte de energia, independente da estimulao externa. 
Essa propriedade autogeradora explica o perigo e a dificuldade de se controlar a agresso. 
Nas espcies subumanas, os animais, no decorrer do processo evolutivo, teriam desenvolvido 
inibies que os impedem de destruir membros da prpria espcie. Segundo Lorenz, quando os 
animais atacam outros de sua espcie, fazem-no de maneira ritualizada e inofensiva, e as vtimas 
emitem sinais de apaziguamento que instintivamente inibem o ataque do agressor. O homem seria 
dotado do mesmo instinto agressivo que os animais, porm essa agresso  mal controlada, porque o 
homem no tem as inibies inatas contra matar ou ferir membros da mesma espcie. O porqu 
dessa diferena seria explicado da seguinte maneira: A seleo natural garantiu que os animais 
dotados de alto potencial destrutivo desenvolvessem mecanismos poderosos de inibio da agresso 
a fim de impedir a auto-exterminao da espcie. Como o homem  basicamente uma criatura 
inofensiva, onvora, sem presas naturais com as quais possa destruir o adversrio, ele nunca 
desenvolveu mecanismos inibidores inatos como aconteceu com os animais carnvoros ferozes. 
Embora a natureza no tenha dotado o homem de presas perigosas, sua inteligncia lhe permitiu in 
venta 
armas letais para as quais ele no tem mecanismos ini bidores inatos. No entanto, se olhamos as espcies 
extintas, como os dinossauros, por exemplo, e o domnio do homem sobre a Terra atual,  difcil acreditar-se 
que a inteligncia seja prejudicial  sobrevivncia da espcie. Montagu (1968) argumenta que o homem tem 
sido favorecido na seleo natural justamente porque a maior parte de seu comportamento no est sob 
controle instintivo. 
Bandura (1973) cita trabalhos de outros etologistas que no confirmam as observaes de Lorenz. Barnett 
(1967), por exemplo, afirma que os animais no possuem sinais inatos para terminar os ataques dos adversrios 
e que os sinais estereotipados que eles usam tm efeitos variados sobre as respostas dos inimigos. Os animais 
derrotados conseguem evitar danos maiores rendendo-se, desistindo do objeto de luta, ou fugindo. Aqueles 
animais que no tm habilidade para se defenderem ou fugirem realmente so feridos ou mortos. Sob 
condies de confinamento, tambm j verificou que animais matam membros de sua prpria espcie. No final 
do livro On Aggression, Lorenz d algumas sugestes sobre como controlar a agresso, mas como seu 
modelo  um modelo hidrulico, como o freudiano, a agresso fatalmente surge e dever ser canalizada para 
alguma finalidade. Lorenz sugere esportes e competies internacionais como uma maneira para reduzir 
agresso entre pases. Nas palavras de Bandura (1973), Nos crculos profissionais, os trabalhos de Lorenz e 
Ardrey foram admirados por suas qualidades literrias, porm severamente criticados por seu baixo contedo 
cientfico (p. 16-17). 
Um volume editado por Montagu (1968) contm crticas que vrios cientistas fizeram a essas posies, e  
recomendado ao leitor que desejar se aprofundar sobre o assunto. Montagu refere-se, entre outros, a 
experimentos clssicos como os de Kuo (1930) que j fornecem evidncia contrria  posio instintivista. Kuo 
relata experimentos em que gatos foram criados sob vrias condies: em isolamento, com mes que matavam 
ratos, ou com companheiros-ratos. Dentro de cada uma dessas trs condies experimentais, metade dos gatos 
foi criada vegetariana e metade carnvora. As diferentes condies experimentais produziram gatos 
pacifistas ou ferozes. Os gatos criados com mes que matavam ratos tornaram-se vidos matadores de 
ratos (85/o deles matavam ratos); menos da metade 
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dos gatos criados em isolamento (45/o) nunca veio a matar um rato. Os gatos criados junto com ratos 
desenvolveram uma ligao forte aos ratos, e raramente matavam outros ratos (17/o apenas mataram ratos), O 
vegetarianismo reduziu o comportamento de comer ratos, mas no o de matar ratos. Gatos que no atacaram 
nenhum rato durante vrios meses de testagem, sob condies de fome ou de saciao, foram depois expostos 
a influncias modeladoras nas quais assistiram a gatos adultos matando ratos. A modelao da agressividade 
converteu 82/o dos gatos pacifistas criados em isolamento em matadores de ratos, porm nem com o poder do 
exemplo e sob condies de fome conseguiu converter a maioria dos gatos criados com ratos a matar ratos 
(apenas 7/o o fizeram). 
Segundo Bandura (1973), vrios pesquisadores (Hinde, 1960; Lehrman, 1953; Scott, 1972) levantam crticas 
ainda mais srias ao modelo de Lorenz, salientando que no existe evidncia neurofisiolgica de que 
atividades funcionais gerem sua prpria energia motivadora, que se acumularia com o tempo, na ausncia de 
estimulao externa. Nem existe maneira alguma pela qual a energia possa ficar represada no sistema 
nervoso, necessitando de descarga ou transferindo-se para centros cerebrais que controlam outras atividades. 
Em outras palavras, os mecanismos neurofisiolgicos mediadores da agresso no criam eles prprios 
estmulos para a agresso, o que pressupem tanto Lorenz quanto Freud. 
Outro ponto criticado em Lorenz  a extrapolao de observaes de espcies inferiores (gansos, peixes) para 
o comportamento humano (uma crtica tantas vezes feita aos behavioristas). Estudos etolgicos bem 
conduzidos, como os de Carthy e Ebling (1964) e van Lawick-Goodall (1971), do bastante evidncia descritiva 
de comportamentos agressivos controlados por estmulos ambientais. Por exemplo, os peixes-espinho 
(<stickleback) atacam membros de sua prpria espcie quando estes esto com uma colorao vermelha na 
barriga. Atacam tambm fac-smiles de formas bem diferentes, desde que tenham a colorao vermelha, o que 
demonstra que o comportamento agressivo neste caso foi determinado por estmulos externos (Tinbergen, 
1951). Em resumo, a etologia oferece pouca evidncia de que o comportamento agressivo do ser humano seja 
instintivo. 
As diferenas entre agresso humana e no humana tm despertado interesse nas dimenses 
cognitivas da agresso (Parke & Slaby, 1983). Tirar a boneca favorita da irm quando esta no a 
deixa brincar com suas letras magnticas como uma criana de 14 meses fez em um estudo 
conduzido por Dunn & Kendrick (1982) requer pensamento. Como afirma Maccoby (1980), para 
executar um ato que magoa outro, a criana deve ter alguma compreenso de quem a est 
atrapalhando e o que pode ferir essa pessoa. A agresso verbal requer um processamento de 
informao ainda mais complexo. 
A POSIO GENTICA 
Outra linha de argumentao a favor da inevitabilidade da agresso humana baseia-se em estudos 
de influncias hormonais sobre o comportamento agressivo e estudos de indivduos portadores de 
distrbios cromossmicOs. 
Estudos de influncias hormonais tm demonstrado que o andrgeno, hormnio sexual masculino, 
facilita a agressividade em animais (Conner e Levine, 1969; Rothballer, 1967). Estudos com animais 
tambm tm demonstrado que a administrao de testosterona em fetos ou fmeas recm-nascidas 
aumenta sua agressividade. Em seres humanos, porm, o excesso de andrgenos em fetos, seja por 
defeitos de enzimas, seja por administrao de progesterona a mes grvidas causa a 
masculinizao dos genitais externos das filhas. No entanto, essas meninas no so fisicamente mais 
agressivas (Ehrhardt, Epstein e Money, 1968), de forma que no parece haver base suficiente para 
se atribuir a maior agressividade dos homens a fatores genticos ou constitucionais.  sabido que o 
controle do comportamento sexual pelos hormnios diminui  medida que se avana na escala 
filogentica. Nas espcies inferiores, o comportamento sexual  determinado por hormnios. J no 
ser humano, a excitao sexual  extremamente varivel e independente de secrees hormonais 
(Beach, 1969; Ford e Beach, 1951). H diferenas culturais quanto a partes do corpo consideradas 
erticas. Assim como est provado que no ser humano os estmulos ambientais e a aprendizagem 
tm maior importncia na determinao do comportamento sexual, tambm no se poderia 
extrapolar de espcies inferiores para o ser humano quanto a comportamentos agressivos. Mesmo 
se as espcies animais 
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tiverem o comportamento agressivo determinado por fatores endgenos, isto no significaria que no ser 
humano o comportamento agressivo tivesse a mesma origem. 
Uma linha de pesquisa que se tem desenvolvido bastante na direo de atribuir agresso a fatores 
constitucionais ligados ao sexo  constituda pelas pesquisas sobre o cromos- soma sexual masculino Y. Os 
homens normais possuem um par de cromossomas XV e as mulheres tm o par XX, sendo portanto o Y o 
determinante da masculinidade. Em 1965, Jacobs, Brunton e Melville publicaram um trabalho relatando a 
incidncia mais alta do sndrome XYV (um cromossoma Y a mais) em deficientes mentais internados por crimes 
violentos (2,9/o), em comparao com a populao geral (O,2/o). A confirmao desses resultados traria forte 
evidncia para a idia de que a agressividade estaria associada a sexo masculino. Em uma reviso extensa das 
pesquisas sobre o assunto, que se seguiram s de Jacobs et alii (1965), Jarvik, Klodin e Matsuyama (1973), em 
um artigo intitulado Agresso humana e o cromossoma Y extra: fato ou fantasia?, analisam cuidadosamente 
essas pesquisas, concluindo pela opo fato, isto , que realmente haveria bastante evidncia emprica a 
favor da relao entre agressividade e o cromossoma Y extra. No entanto, Bandura (1973) ainda apresenta 
srias crticas, apoiado em outros pesquisadores, que questionam a adequao da metodologia utilizada nas 
pesquisas sobre o sndrome XYY e questionam tambm a validade das concluses. Segundo Bandura, ficou 
esquecido, no meio da publicidade que se fez em torno, o fato de que os prisioneiros da pesquisa original de 
Jacobs et alii raramente agrediram pessoas e que 88/o de suas ofensas foram contra a propriedade. Os 
prisioneiros XYY de fato tinham uma incidncia mais baixa de agresses fsicas e sexuais do que um grupo de 
controle adequadamente emparelhado (Price e Whitmore, 1967). Outros pesquisadores citados por Bandura, 
que criticaram a referida posio, foram Kessler e Moos, 1970; Owen, 1972; Shah, 1970. Um ponto importante 
da crtica  que os estudos de prevalncia de XVV em prisioneiros confundiu, entre outras coisas. anomalia 
cromossmica com altura e influncias sociais. Se o carltico XYY  mais comumente encontrado em homens 
altos, como  o fato, sua prevalncia entre prisioneiros altos deveria ser comparada no com a populao geral, 
mas com uma suba- mostra de indivduos no-institucionalizados altos, equiparados 
aos primeiros em fatores sociais conducentes  agresso. Os resultados tendenciosos produzidos por essas 
amostras foram comentados por Clark et alil (1972), que relatam que, quando apenas prisioneiros altos so 
selecionados para a anlise cr0- mossmica, a prevalncia de XYY  mais alta (2,7/o) do que quando 
prisioneiros com menos de 1,80 m de altura so tambm includos (1,8/o). 
Quanto a influncias sociais, os portadores de XVY tm um histrico de ter sido presos numa idade mais tenra 
e mais freqentemente. Este padro diferencial de aprisionamento pode ter um impacto sobre o comportamento 
futuro e pode ser relacionado com a estatura fsica. Os meninos mais altos tendem a andar em companhia de 
rapazes mais velhos. Numa briga, podem ser considerados pelos policiais como mais perigosos ou mais velhos, 
enquanto um menino menor pode escapar sem ser preso. A convivncia numa priso ou reformatrio para 
delinqenteS geralmente lana o rapaz numa carreira de crime, seja qual for sua composio gentica. Dentro 
dessa linha de pensamento, torna-se plausvel que a relao entre XYY e agressividade seja espria, ilustrando 
um defeito do mtodo correlacional j discutido, o de que no se pode inferir relaes de causa e efeito.  
possvel que XYY determine estatura mais alta. Esta, por sua vez, poderia engendrar uma srie de situaes 
sociais como as descritas acima, resultando em maior agressividade. 
Outro estudo que levanta srias dvidas quanto a essa hiptese de relao entre XYY e agressividade  o de 
Clark et alii (1972): Como  sabido, o cromossoma Y extra tem sido responsabilizado por hipermasculinidade. Da 
mesma forma, o sndrome de Klinefelter (XXY), ou seja, um cromossoma X a mais, estaria associado com 
tendncias no-agressivas. Clark e seus colaboradores conduziram um estudo de anlise cromossmica em 
vrias instituies penais e verificaram que o sndrome XVV no  mais comum (l,8/o de incidncia) do que o 
sndrome XXV (2,6/o), nem se encontram diferenas entre os histricos criminais dos dois grupos. 
Em suma, Bandura conclui por discordar da evidncia proposta pelos estudos de etologia e pelos estudos 
genticos que afirmam ser a agressividade instintiva ou constitucional. Por outro lado, sua posio no  a de 
um ambientalista radical. Em suas prprias palavras: 
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A POSIO DAS TEORIAS DE DRIVE 
A viso dicotmica de que o comportamento ou  aprendido ou  inato tem pouco apoio  medida 
que nosso conhecimento sobre o comportamento humano aumenta. Embora hereditaristas e 
ambientalistas radicais ainda existam, a maioria dos teoristas reconhece que influncias sociais e 
fisiolgicas no podem ser facilmente isoladas, j que os dois conjuntos de influncias interagem de 
maneiras sutis na determinao do comportamento. Como certo equipamento biolgico  necessrio 
para realizar comportamentos agressivos manuais, fatores estruturais, que tm uma base gentica, 
podem em parte determinar se a agressividade inicial tem sucesso e progride em seu 
desenvolvimento ou se ela falha e  abandonada. Ser fisicamente forte, por exemplo, aumenta a 
probabilidade de que os atos agressivos tenham sucesso (p. 26). Por exemplo: um menino forte que 
bate nos coleguinhas da mesma idade tem mais probabilidade de conseguir o que queria (talvez o 
brinquedo do outro) do que uma criana fisicamente mida. A agressividade da criana forte  
nesse caso reforada positivamente e tende a se repetir e estabelecer como um padro de 
comportamento. J um menino fraco que bate num colega, porm sai perdendo e no consegue seu 
objetivo, facilmente desiste da agresso fsica (esta  extinta por falta de reforo positivo). As 
caractersticas fsicas tambm tm uma influncia indireta sobre o comportamento. Por exemplo: 
meninos de maternal que so fisicamente fracos ou pouco desenvolvidos para a idade tendem a se 
associar a outros meninos fracos. Os fortes, que gostam de brincadeiras mais violentas (como lutar 
de brincadeira) tendem a se associar entre si tambm, e assim os padres de comportamento vo 
se fixando, atravs dos exemplos e do reforo. 
Os exemplos acima demonstram como o comportamento agressivo pode ser entendido em termos 
de interao entre fatores biolgicos e sociais, numa posio equilibrada, que no recorre a 
construtos no demonstrveis como os instintos, nem cai num ambientalismo radical.  importante 
notar, porm, que o problema central no  se a agresso tem causas mltiplas, e sim descobrir o 
grau em que fatores biolgicos, psicolgicos e sociais contribuem para as variaes em agresso que 
encontramos entre os indivduos, ou no mesmo indivduo em ocasies diferentes. 
190 
Muitos autores abandonaram a noo de um instinto agressivo inato e elaboraram teorias cujo 
elemento principal  um drive (motivo) produzido pela frustrao. De acordo com essas teorias, os 
homens so motivados a se comportar de maneira agressiva por um drive produzido pela frustrao 
e no mais por causa de uma fora agressiva inata. Esta posio foi apresentada originariamente 
por Dollard et alii (1939) e referendada posteriormente, como vemos nas publicaes de Feshbach 
(1964; 1970), Sears, Whiting, Nowlis e Sears (1953), Whiting e Child (1953).  geralmente chamada 
de hiptese de frustrao-agresso. Esta hiptese afirmava que a interferncia com uma 
atividade dirigida a um objetivo induz um drive agressivo, o qual, por sua vez, motiva 
comportamentos que visam danificar a pessoa a quem se dirigem. Infligir dano reduziria o drive 
agressivo. Na forma em que foi originariamente proposta, a hiptese pressupunha que a frustrao 
sempre gera agresso. Em modificaes posteriores da hiptese, a agresso era ainda considerada 
como a resposta naturalmente dominante  frustrao; porm admitiam que outros tipos de 
respostas, no-agressivas, poderiam ocorrer se as agressivas tivessem sido previamente eliminadas 
atravs de punio ou de no-recompensa. 
Embora alguns membros do grupo de Yale (Milier, 1941; Sears, 1941) tivessem abandonado a noo 
de que a agresso  a nica resposta no-aprendida  frustrao, continuou-se a considerar que 
sempre que houvesse agresso podia-se supor que fora precedida por frustrao. A hiptese de 
frustrao- agresso foi muito criticada. Antroplogos como Bateson (1941) apresentaram dados 
sobre culturas em que a agresso no  de maneira alguma uma resposta tpica  frustrao. 
Barker, Dembo e Lewin (1941) e Wright (1942, 1943) demonstraram que crianas pequenas 
tendiam mais  regresso do que  agresso quando frustradas. Os experimentos de laboratrio em 
que a frustrao foi sistematicamente manipulada no do muito apoio  hiptese de frustrao-
agresso. Em alguns experimentoS, a frustrao aumentou a agresso (Berkowitz, 1965a; 
Hartmann, 1969; Ulrich, Hutchinson e Azrin, 1965); porm em outros experimentos no se 
verificaram efeitos sistemticos da frustrao sobre a agresso (Buss, 1966a; Jezard e Walters, 
1960; Walters e Brown, 1963); e finalmente em outros experimentos verificou-se que a frustrao 
pode reduzir o comportamento agressivo (Kuhn, 
191 

Madsen e Becker, 1967). Nos experimentos que relatam efeitos positivos, o efeito da frustrao 
geralmente influencia o comportamento agressivo somente quando  acompanhado por um 
treinamento anterior em agresso ou por exposio a modelos agressivos. 
O saldo desses estudos sugere que a frustrao  apenas um fator, e no necessariamente o mais 
influente, na determinao do comportamento agressivo. Um ponto importante nessa formulao 
terica refere-se  catarse. Uma vez que o drive agressivo tenha sido estimulado, ele permaneceria 
ativo como uma fora motivadora at que fosse descarregado de alguma forma por comportamentos 
agressivos. A expresso do drive reduziria a agresso e essa descarga de energia  o que se chama 
catarse. Grande nmero de pesquisas experimentais tem demonstrado, porm, que a participao 
direta ou vicria (assistir a filmes ou a espetculos violentos) tende a manter ou aumentar o 
comportamento agressivo e no a diminu-lo (Bandura, 1973). 
Feshbach (1970) apresenta a verso mais recente das teorias de drive agressivo. Este autor retm a 
noo de que a frustrao provoca um drive agressivo que faz as pessoas agredirem; porm 
reformula alguns aspectos da teoria. Feshbach acredita que a participao direta ou vicria em atos 
agressivos pode ter trs efeitos diferntes: 1) pode reduzir o drive agressivo; 2) pode reforar 
comportamentos agressivos; e 3) pode alterar a intensidade de inibies sobre a agresso. Feshbach 
insiste tambm em que o objetivo importante na reduo do drive no  infligir dano a outrem, 
porm restaurar a auto-estima do sujeito. Embora seja fato que um aumento de auto-estima reduz a 
agressividade, essa explicao peca por no enquadrar como  que um drive pode ser reduzido por 
uma atividade no diretamente relacionada. Feshbach afirma tambm que a agresso pode ser 
eliminada quando as pessoas reestruturam as situaes que tinham sido erroneamente interpretadas 
como insultantes. Mas aqui tambm fica inexplicado como o drive ficaria reduzido, uma vez que a 
noo de catarse, central s teorias de drive, exige uma descarga atravs de comportamentos 
diretamente relacionados ao drive. 
Embora as foras motivadoras da agresso sejam diferentes, conforme postuladas pelas teorias 
instintivas e pelas teorias de drive, as duas posies so muito semelhantes quan192 
to a suas implicaes para o comportamento humano. Como a frustrao est sempre presente, o 
ser humano sempre teria uma carga de energia agressiva que requer descarga peridica e ambas as 
posies pressupem que a agresso  reduzida quando nos comportamos de maneira agressiva. 
A POSIO DA APRENDIZAGEM SOCIAL 
O desenvolvimento da Psicologia da Aprendizagem cada vez mais levou os psiclogos na direo de 
causas ambientais para os comportamentos. A atribuio do comportamento a foras motivadoras 
internas tem sido comparada s explicaes primitivas em outros ramos da cincia. Antigamente, 
reaes qumicas eram supostamente causadas por movimentos de uma substncia chamada 
flogiston, objetos fsicos eram movidos por essncias intangveis e a doena mental causada por 
demnios. Essas outras cincias progrediram no sentido de identificar fatores e causas extrnsecas. 
H, porm, bastante resistncia  noo de que o comportamento humano esteja sujeito ao controle 
de estmulos ambientais, embora haja bastante evidncia emprica para isto. Aqui, novamente, a 
posio de Bandura  to lcida, que preferimos cit-lo textualmente: 
Para a maioria das pessoas, isto infelizmente implicava em um processo de influncia unilateral que 
reduzia o homem a um reator sem defesa, ao sabor de recompensas e punies externas, e trazia 
associaes macabras de 1984 e Admirvel Mundo Novo, nas quais as pessoas eram 
manipuladas  vontade por tecnocratas ocultos. Associando o termo behaviorismo com imagens 
odiosas de ces salivando e animais motivados por cenoura e couve, os crticos dos enfoques 
comportamentais habilmente empregam procedimentos de condicionamentos pavloviano, a fim de 
dotar o ponto de vista behaviorista com propriedades degradantes. O fato de que a valorizao de 
pessoas, lugares ou coisas  afetado por nossas experincias emocionais, seja de medo, humilhao, 
desgosto ou prazer, no significa que esta aprendizagem reflita um processo animal baixo. De fato, 
esperar que as pessoas permaneam no afetadas por suas experincias  consider-las menos do 
que humanas. O que  mais, ser sensvel s conseqncias que nossas aes tm (reforos)  sinal 
de inteligncia e no de funcionamento subumano (1973, p. 42). 
193 
Uma crtica mais vlida do determinismo situacional extremo, no af de evitar causas internas esprias, 
ignorou determinantes do comportamento humano que surgem do funcionamento cognitivo. O ser humano  
um organismo pensante, possuidor de aptides que o tornam capaz de algum poder de auto- direo. As 
pessoas podem representar influncias externas simbolicamente e usar posteriormente essas representaes 
para guiar suas aes; os seres humanos podem solucionar mentalmente os problemas sem viver todas as 
alternativas; e eles podem prever as conseqncias provveis de determinadas aes e alterar seu 
comportamento de acordo com isto (1973, p. 42). 
No ser humano, ento, o comportamento agressivo, como qualquer outro comportamento, seria controlado 
basicamente por trs sistemas reguladores: fatores antecedentes (estmulos) que levam o sujeito a se 
comportar de determinada maneira, feedback de respostas (contingncias e reforo, incluindo o reforo 
vicrio e o auto-reforo), e processos cognitivos que incluem a representao cognitiva das contingncias de 
reforo. O diagrama abaixo ilustra as diferentes implicaes das teorias instintivas, de drive e de aprendizagem 
social, para o comportamento agressivo. 
TEORIAS DE INSTINTO 
Instinto agressivo > Comportamento agressivo 
Como se deduz da figura acima, nas teorias instintivas ou de drive, a agresso  inevitvel, seja 
porque a frustrao gera um drive agressivo, que por sua vez leva a comportamentos agressivos. 
Em ambos os casos,  preciso haver uma descarga de energia. No terceiro enfoque (aprendizagem 
social), vemos que as experincias aversivas (termo mais amplo do que frustrao) e as 
conseqncias cognitivamente antecipadas levam a um estado de excitao emocional difuso, que 
poder acarretar qualquer comportamento (dependncia, agressividade, psicossomatizao, fuga, 
soluo destrutiva de problemas), dependendo do histrico da aprendizagem da pessoa. Por 
exemplo, para uma pessoa que aprendeu a reagir com agresso diante de experincias aversivas, 
este comportamento se manifestar. J para outra pessoa que foi positivamente reforada por reagir 
com dependncia este ser o comportamento mais provvel de se manifestar. 
H bastante evidncia de que os componentes neurofisiolgicos de emoes diferentes (medo e 
dio, por exemplo) so indistinguveis. A identificao correta de uma emoo depende do 
conhecimento que temos do contexto social. Schachter e Singer (1962), por exemplo, do evidncia 
de que as pessoas em estado de excitao emocional causada por drogas, e que no sabem a que 
fatores atribuir essas reaes fisiolgicas de excitao emocional, experienciam a excitao como 
agresso, quando observam outras pessoas no grupo se comportarem de maneira hostil, mas 
vivenciam o mesmo estado como euforia, se vem outras pessoas se comportarem de maneira 
brincalhona. Estas pesquisas questionam a existncia de um instinto ou drive agressivo. O que 
parece mais plausvel  que o estado de excitao emocional difuso causado por estmulos aversivos 
facilita o aparecimento de comportamentos dominantes na hierarquia de hbitos da pessoa. Ainda 
mais, Bandura afirma que a frustrao, ou mesmo a excitao emocional, no  condio necessria 
para a agresso. Uma cultura pode produzir pessoas altamente agressivas, apenas valorizando as 
conquistas agressivas, fornecendo modelos agressivos e garantindo que os comportamentos 
agressivos recebam recompensas, mesmo se o grau de frustrao for muito baixo. A seguir, citamos 
algumas pesquisas que demonstram como a agresso pode ser adquirida, aumentada, ou diminuda 
atravs dos princpios bsicos da aprendizagem social. 
195 
TEORIAS DE DRIVE 
Frustrao > Drive agressivo > Comportamento agressivo 
TEORIA DE APRENDIZAGEM SOCIAL 
Experincias aversivas Excitao 
emocional 
Conseqncias antecipadas > Motivao 
baseada em 
reforamento 
Dependncia 
Realizao 
Fuga e resignao 
Agresso 
P5 icossomatiza o 
Auto-anestesia com drogas e lcool 
Soluo construtiva de problemas 
Fig. 28  Teorias da agresso (adaptado de Bandura, 1973, p. 54). 
194 
O papel do reforo positivo: Patterson, Ludwig e Sonoda (1961) verificaram experimentalmente 
que crianas que recebem elogios por baterem aumentam o comportamento agressivo mais do que 
as que no recebem aprovao. Adultos elogiados por administrarem choques de alta intensidade a 
outra pessoa tornam-se cada vez mais punitivos, ao passo que sujeitos no reforados apresentam 
um nvel relativamente baixo de agresso (Geen e Storiner, 1971). O reforo social no aumenta 
apenas o tipo de comportamento agressivo reforado, mas pode aumentar outros tipos de agresso 
no explicitamente reforados. Tanto crianas (Lovaas, 1961) como adultos (Loew, 1967; Parke, 
Ewall e Slaby, 1972), que receberam reforo social por fazerem comentrios hostis, demonstraram 
mais agresso fsica num ps-teste do que aqueles que receberam reforo por fazerem comentrios 
positivos. O esquema de reforamento tambm  uma varivel de grande importncia. Cowan e 
Walters (1963) reforaram meninos com bolas de gude por baterem num palhao automtico. Em 
uma condio experimental, o reforo foi dispensado num esquema de razo fixa 1:6; na segunda 
condio experimental o esquema foi de razo fixa 1:3 e na terceira condio experimental o 
esquema foi de reforo contnuo. Uma vez retirado o reforo na fase de extino, os meninos 
reforados no esquema contnuo revelaram-se menos agressivos, enquanto que os reforados no 
esquema 1:6 foram os mais agressivos. As respostas reforadas intermitentemente persistem mais, 
portanto, ou, em outras palavras, so mais resistentes  extino. Alm disso, as respostas 
reforadas intermitentemente tambm tendem a se generalizar para outras situaes. Walters e 
Brown (1963) reforaram meninos com bolas de gude por baterem num palhao, sob trs condies: 
1) Reforo contnuo; 2) Razo fixa 1:6; 3) Nenhum reforo. Um quarto grupo, de controle, no 
recebeu nenhum treinamento. Depois deste treinamento, as crianas foram submetidas a uma 
experincia frustradora ou a uma experincia agradvel, e sua agressividade em relao a outra 
criana foi medida em situaes livres e situaes de jogos competitivos. Os meninos que haviam 
recebido reforo intermitente por comportamentos de bater no palhao na fase de treinamento 
tiveram duas vezes mais comportamentos agressivos interpessoais no ps-teste do que os que 
receberam reforo contnuo, nenhum reforo, ou nenhum treinamento de agresso. As diferenas 
entre esses trs ltimos grupos no foi estatisticamente significante. 
196 
O que sobressai nos resultados desse experimento  que o reforo intermitente de um comportamento de 
agresso fsica, numa situao no frustradora, teve efeito sobre agresso interpessoal posterior. 
O papel do modelo: Uma das grandes contribuies de Bandura ao ponto de vista do behaviorismo 
consiste na nfase 
na aprendizagem por observao de modelos. No  essencial executar-se a resposta e esta ser reforada para 
que ocorra a aprendizagem. Muitos padres de comportamento so aprendidos atravs da observao de 
modelos, mesmo se no identificamos nem mesmo uma atuao de reforamento vicrio (reforo ao modelo, 
tendo um efeito sobre o comportamento do observador). 
H trs efeitos que os modelos podem produzir: 
1) Aquisio de novos comportamentos. 
2) Aumento ou diminuio de inibies do comportamento observado (isto ocorre geralmente atravs da 
observao de prmios ou punies aos modelos). 
3) Facilitao social, ou seja, aparecimento de comportamentos que no so novos no repertrio do 
observador, mas que no podem ser atribudos a fatores de inibio ou desinibio, por se tratar de 
comportamentos socialmente aceitos. 
H vrios estudos de observao antropolgica em que se v que padres de comportamentos agressivos ou 
no-agressivos so transmitidos aos membros mais novos de uma cultura atravs de modelos. Gardner e 
Helder (1969) apresentam uma anlise de como as crianas da tribo guerreira Dugum Dani em Nova Guin 
aprendem a ser agressivos atravs da observao dos adultos. Levy (1969) apresenta um contraste 
interessante, analisando como as crianas de Taiti se tornam afveis e pouco agressivas. Estudos com 
delinqentes tambm indicam que o comportamento agressivo predomina quando os modelos agressivos so 
abundantes e onde a agressividade  considerada uma qualidade valorizada, sejam estes modelos fornecidos 
pela pessoa do pai ou por outros adultos e companheiros. McCord, McCord e Zola (1959) verificaram que os 
filhos de criminosos tendiam a se tornar criminosos principalmente se o pai era cruel e rejeitador (85/o); porm 
a ocorrncia de pai re197 
A 
jeitador apenas estava associada com uma incidncia menor de criminalidade (400/o) em famlias em que o pai 
no era um modelo criminoso. Glueck e Glueck (1950) tambm relatam incidncia maior de modelo paterno 
agressivo entre delinqentes do que entre jovens no-delinqentes. 
A transmisso social de agresso atravs de modelos tem sido demonstrada tambm abundantemente em 
situaes experimentais controladas. Estes experimentos tipicamente usam o paradigma original de Bandura, 
Ross e Ross (1961), no qual as crianas observam modelos comportando-se de maneira agressiva (agresso 
fsica e verbal) em relao a um boneco plstico cheio de ar, tipo Joo Teimoso. O modelo exibe 
comportamentos agressivos tais como bater na cabea do boneco com um martelo, sentar no boneco e bater-
lhe no nariz, chut-lo, atirar bolas nele, etc. Alm disso, o modelo faz comentrios verbais hostis. Depois de 
expostos ao modelo agressivo, as crianas so colocadas em situaes de brinquedo livre, com vrios 
brinquedos que podem ser usados para brincadeiras agressivas ou no-agressivas. Os efeitos de 
aprendizagem dos comportamentos agressivos do modelo so medidos atravs do registro dos 
comportamentos espontneos da criana, ou pedindo-lhe que reproduza os comportamentos do modelo. Esta 
segunda medida utilizada por Bandura (1965a)  considerada um ndice melhor, porque as pessoas geralmente 
aprendem mais do que aquilo que manifestam espontaneamente. (Outra contribuio importante de Bandura  
a distino entre aprendizagem e desempenho. Contrrio ao behaviorismo ortodoxo, Bandura admite essa 
distino). 
A importncia do fator modelo  enorme, principalmente numa sociedade tecnolgica. As crianas aprendem 
no apenas o que lhes  dito que devem fazer, mas principalmente o que vem ser feito por outras pessoas. 
Enquanto que antigamente os modelos eram quase que exclusivamente os pais e membros mais chegados da 
famlia, atualmente os modelos so fornecidos amplamente pela comunicao de massa (jornais, revistas, 
cinema e, especialmente, a televiso). Bandura, Ross e Ross (1963a), Bandura e Mischel (1965), Prentice (1972), 
Grusec (1972) e vrios outros estudos demonstraram que tanto as crianas como os adultos podem adquirir 
atitudes, comportamentos emocionais e padres complexos de comportamento atravs de modelos pictricos. 
Estas pesquisas chegaram a despertar a 
preocupao do governo norte-americano com os efeitos dos desenhos animados e filmes agressivos com que 
 bombardeada a criana norte-americana pela televiso. A preocupao com este problema foi gradualmente 
crescendo nos Estados Unidos, a ponto de, em 1969, o Senador John O. Pastore pedir ao Secretrio de Sade, 
Educao e Bem-Estar (Health, Education and Welfare que solicitasse ao Surgeon General * um estudo sobre 
o impacto da violncia televisionada. Em resposta a esse pedido, foi nomeada uma Comisso Cientfica 
Consultora para Televiso e Comportamento Social, composta de doze cientistas do comportamento, em junho 
de 1969. Ao mesmo tempo, um milho de dlares foi destinado  pesquisa sobre este problema e um grupo do 
National Insttute of Mental Health foi nomeado para coordenar o programa de pesquisas. Durante os dois 
anos seguintes, um total de 23 projetos de pesquisa foram realizados em vrias universidades e centros de 
pesquisa. Os 60 relatrios sobre esses trabalhos foram estudados pela Comisso Consultora em 1971, e o 
relatrio fnal, intitulado Television and Growing Up: The lmpact of Televised Violence, foi apresentado ao 
Surgeon General. Este relatrio e mais cinco volumes contendo relatrios de pesquisa foram publicados em 
1972. Essas pesquisas focalizaram trs questes principais: 
1) As caractersticas dos contedos dos programas de televiso. 
2) As caractersticas da audincia: quem assiste ao que, por quanto tempo. 
3) O impacto potencial da violncia na televiso sobre as atitudes, valores e comportamentos do espectador. 
Alguns dos resultados mais marcantes, relativos  primeira questo, so os de Gerbner (1972): De 95 desenhos 
animados analisados, apenas dois em 1967, um em 1968 e um em 1969 no continham violncia. Em mdia, em 
1967, uma hora de desenhos animados continha trs vezes mais episdios violentos do que os programas para 
adultos. Em 1969, uma hora de desenho animado j continha seis vezes mais episdios violentos do que uma 
hora de programao para adultos. Barcus (1971) relatou resultados semelhantes: 7l0/o dos segmentos de 
desenhos animados analisados continham pelo menos um episdio de violncia humana. 
198 
* Representante do governo sobre assuntos de sade. 
199 
Quanto  segunda questo, os resultados indicaram que as crianas pequenas esto entre os que 
mais assistem a televiso. Vrios estudos (LyIe e Hoffman, 1972a, 1972b; Murray, 1972) 
demonstraram que crianas pequenas passam 2 a 3 horas por dia vendo televiso e vem mais ainda 
nos fins de semana do que durante a semana. Em mdia, as crianas em idade pr- escolar passam 
a metade de uma semana de trabalho do adulto defronte da televiso. 
Estender-nos-emos mais a respeito da terceira questo. J que  ponto pacfico que h bastante 
violncia apresentada na televiso e que as crianas passam muitas horas assistindo  TV, o que 
revelam os estudos sobre efeitos de violncia na televiso sobre o comportamento de crianas? 
Stein e Friedrich (1972) avaliaram o efeito de expor programas de televiso anti- sociais, pr-sociais 
ou neutros. Os sujeitos, crianas de idade pr-escolar, foram observados durante um perodo de 
nove semanas, que consistiu de duas semanas antes da exposio aos programas, quatro semanas 
de exposio e trs semanas de follow up. Todas as observaes foram feitas enquanto as crianas 
realizavam as atividades normais do maternal. Os observadores registraram vrias formas de 
comportamento que podiam ser descritas como pr-sociais (por exemplo: ajudar, compartilhar, 
brincar de forma cooperativa, tolerar demoras) ou anti-sociais (por exemplo: discutir, empurrar, 
quebrar brinquedos). Os resultados indicaram que as crianas julgadas inicialmente um tanto mais 
agressivas tornaram-se significativamente mais agressivas como resultado de ver os programas anti-
sociais, tais como Batman. Por outro lado, as crianas que viram 12 episdios de programao 
pr-social tornaram-se significantemente mais cooperativas, dispostas a emprestar brinquedos e a 
ajudar outras crianas. 
Em outro estudo, Liebert e Baron (1972) avaliaram a disposio de crianas para machucar outra 
criana, depois de verem programas de televiso agressivos ou neutros. A situao experimental 
consistia de uma situao em que as crianas poderiam apertar um boto que ajudaria ou 
prejudicaria outra criana supostamente na sala ao lado. As crianas que haviam assistido aos 
programas agressivos apertaram o boto de prejudicar mais cedo e por perodos mais longos do 
que as do grupo de controle. Alm disso, quando as crianas foram observada durante um perodo 
de brincadeira livre, as que 
haviam assistido ao programa agressivo demonstraram maior preferncia por brincar com armas e brinquedos 
agressivos do que as crianas que assistiram aos programas neutros. 
Outros estudos tentaram investigar os efeitos cumulativos, a longo prazo, da exposio a modelos agressivos 
na televiso. Vrios investigadores notaram uma relao consistente entre preferncia por programas de 
televiso agressivos e envolvimento em atos agressivos e delinqentes. Um dos estudos mais importantes 
nessa linha, citado por Murray (1973),  o de Lefkowitz, Eron, Walder e Huesman (1972). Este estudo 
investigou o desenvolvimento de comportamentos agressivos dos mesmos meninos e meninas, por um 
perodo de dez anos, desde a idade de oito anos at 18 anos. Verificaram que, na amostra de meninos, os 
resultados indicaram que a preferncia por programas violentos na idade de 8 anos estava relacionada 
significantemente com comportamento delinqente aos 18 anos. Para meninas, a relao foi menos marcante. 
Em concluso, podemos dizer que h bastante evidncia fornecida por estudos experimentais que utilizaram 
metodologia rigorosa de que, a curto prazo, a exposio a modelos agressivos na televiso conduz a 
comportamentos agressivos nas crianas espectadoras. Estas pesquisas confirmam a posio terica de 
Bandura a respeito do fator modelo na aquisio e manuteno de comportamentos. 
A evidncia a respeito dos efeitos cumulativos, a longo prazo, provm de estudos de natureza correlacional, 
que, como vimos no captulo 2, no permitem inferncias to seguras a respeito de causalidade. Poder-se-ia 
objetar, quanto s concluses do estudo de Lefkowitz et alii, por exemplo, que algum fator no identificado  
que teria causado os meninos preferirem programas agressivos aos oito anos e teria causado os 
comportamentos agressivos aos 18 anos. De fato, sabemos que num estudo correlacional uma relao entre A 
e 8 tanto pode indicar que A causou B, como B causou A (nesse caso impossvel, devido s relaes 
temporais) como ainda que tanto A como B foram causados por um terceiro fator, C. No entanto, 
considerando-se o contexto terico e os resultados experimentais a respeito dos efeitos a curto prazo,  muito 
mais plausvel supor-se que a evidncia correlacional sugere uma relao de causalidade. De qualquer forma, o 
que est bem claro nos 
4 
200 
201 
estudos mais recentes  que a hiptese de catarse tem muito pouco apoio. Assistir a filmes 
agressivos no tem um efeito catrtico de reduzir a agressividade de crianas. 
O leitor vido de conhecer mais sobre a realidade brasileira talvez tenha estranhado a discusso 
detalhada que apresentamos aqui sobre a preocupao manifestada por autoridades governamentais 
norte-americanas com o problema da agressividade na programao de televiso infantil. A 
finalidade dessa discusso foi a de salientar a gravidade do assunto e a estimular que nossos 
psiclogos investiguem esse problema em nosso meio. O que est acontecendo com a criana 
brasileira em termos de audincia  televiso, contedos de programas e efeitos sobre o 
comportamento? Se temos programas de contedo pr-social, tambm temos inmeros de contedo 
agressivo. Ser que em nosso meio a violncia na televiso tem o mesmo efeito que parece ter 
sobre as crianas norte-americanas, ou ser ela contrabalanada por outros fatores? 
Perspectivas de que a criana no  um mero recipiente passivo das mensagens da televiso e de 
que est ativamente engajada em processamento da informao e em atividades interpretativas e 
avaliativas reforam, segundo Lewin (1987a), a noo de que o contedo de um programa 
mediatizado pela televiso no  um bom preditor de seus efeitos. A noo de que os efeitos da 
televiso no so absolutos tem exercido, segundo a autora, um impacto considervel sobre 
perspectivas tericas modernas e tem afastado os pesquisadores do foco predominante de exame da 
relao entre violncia televisionada e as atitudes e comportamentos das crianas. 
De acordo com Lewin e Berry (1987), tem sido bastante reconhecido recentemente que a relao 
da criana com a televiso no pode ser considerada como um fenmeno isolado. A crtica inicial a 
respeito da televiso e seus efeitos tem sido substituda pela promissora noo de que a televiso 
no somente influencia, mas tambm  influenciada pelos seus contextos sociais. O enfoque 
apresentado pelos autores substitui a questo a respeito do efeito da televiso sobre a criana por 
outras questes que envolvem os processos mediante os quais a famlia filtra as influncias 
educacionais da televiso. 
Lewin (1987b) focaliza criticamente, de um ponto de vista cognitivo-evolutivo, o problema do efeito 
e propriedade 
202 
dos contedos de televiso dirigidos  audincia infantil. A autora favorece o argumento de que o 
problema requer um foco multieducacional, mediante a considerao de uma perspectiva de teoria 
de aprendizagem aplicada  implementao de projetos para o desenvolvimento da leitura crtica da 
televiso. Argumenta, tambm, a respeito da importncia das pesquisas empricas, tentando desvelar 
os processos de desenvolvimento em suas conexes com as respostas de crianas ao carter 
persuasivo dos comerciais de televiso e a outros contedos. A autora analisa diferentes pesquisas 
evolutivas em relao ao seu potencial para alimentar as decises a respeito de normas e prticas 
que regulam os comerciais de televiso dirigidos  audincia infantil. 
O papel desempenhado pela Televiso Educativa na soluo de inmeros problemas educacionais 
em realidades brasileiras  focalizado no trabalho Educational Television in Brazil: 
The State of the Art (Lewin, 1987c). Menciona a autora, entre outros dados, que no estado do 
Cear a televiso educativa atinge 68 cidades e tem 42.000 alunos matriculados. No Maranho, a 
Televiso Educativa prov instruo para 23.000 estudantes de 5 a 8 srie. Sem Televiso 
Educativa, este nmero expressivo de alunos estaria privado de uma escolarizao completa. Como 
se v, a televiso educativa est desempenhando um papel crucial em algumas reas pobres do pas. 
O CONTROLE DA AGRESSO 
A discusso acima i n d i c a que os comportamentos agressivos muitas vezes aprendidos de 
modelos so mantidos porque tm conseqncias reforadoras. Muito se tem discutido a respeito 
dos efeitos da punio sobre a agresso. At poucos anos atrs, a teoria da aprendizagem social 
mantinha a noo de que a punio no era um meio eficiente de controlar a agresso, 
principalmente porque, embora se estejam fornecendo conseqncias no-reforadoras ao 
comportamento agressivo, o agente punitivo estaria fornecendo um modelo agressivo, ao punir, que 
favoreceria a manuteno dos comportamentos agressivos, superando os efeitos da punio. Os 
trabalhos de Bandura e Walters (1959) e Bandura (1960) indicaram que a punio poderia no 
mximo inibir temporariamente o comportamento agressivo, que no seria desaprendido e poderia 
reapa203 
A 
recer em contextos diferentes. Mais recentemente se tem verificado que a situao descrita acima  resultante 
de situaes em que a punio  excessiva, como no caso de pais enfurecidos que espancam filhos na 
tentativa de eliminar comportamentos agressivos. Hoffman (1960) relatou que mes que foram a obedincia 
atravs da coao tinham crianas que tambm usavam tticas agressivas ao lidar com seus companheiros. 
Mais recentemente tem-se visto que punies brandas (especialmente crticas verbais) podem reduzir a 
agresso. 
Um dos experimentos mais interessantes sobre punio de comportamentos agressivos  o de Deur e Parke 
(1970). Numa etapa inicial, de aquisio, crianas foram submetidas a uma das trs condies experimentais 
seguintes: 
1) Reforo positivo contnuo de respostas agressivas (bater). 
2) Reforo inconsistente 1 (50% das respostas agressivas receberam reforo positivo e 50/o receberam 
punio). 
3) Reforo inconsistente II (SO% das respostas agressivas receberam reforo positivo e 500/o no receberam 
nenhum reforo). 
Numa segunda etapa, de extino, cada uma das trs condies experimentais foi subdividida em dois grupos 
(A e 
B). O grupo A foi submetido a extino propriamente dita (nenhum reforo) e o grupo B foi submetido a 
punio. O delineamento pode ser esquematizado da seguinte maneira: 
Os resultados mostraram que a reduo de comportamentos agressivos foi significantemente maior 
no grupo 1, do que nos grupos 2 e 3, tanto sob a condio A, quanto sob a condio B. A 
interpretao que se pode fazer  que crianas 
que so consistentemente recompensadas por seus atos agressivos facilmente os abandonam 
quando percebem que eles no esto mais trazendo recompensas. J as crianas que receberam 
reforos inconsistentes (quando a agresso s vezes traz recompensas e s vezes traz punies ou  
ignorada) no abandonam os comportamentos agressivos to facilmente. Na vida diria, dificilmente 
uma criana teria seus comportamentos agressivos sempre recompensados. O mais provvel  que 
os comportamentos agressivos s vezes tenham conseqncias positivas, s vezes tenham 
conseqncias negativas e s vezes no tenham nenhuma conseqncia. Isto explicaria por que o 
comportamento agressivo  geralmente difcil de ser reduzido. 
Os princpios de aprendizagem social podem ser aplicados na modificao de comportamentos 
agressivos. Segundo Bandura (1973), questes ticas tornam-se irrelevantes quando o sujeito 
escolhe seus prprios objetivos. Assim, uma pessoa cujos comportamentos agressivos lhe causem 
dificuldades nas relaes sociais poderia procurar o terapeuta, solicitando um tratamento que reduza 
os comportamentos agressivos. J uma pessoa cujos problemas sejam os de no saber se afirmar 
nem reagir ao ponto de ser explorada por outras pessoas poder pedir um tratamento em que 
comportamento de auto-afirmao e mesmo comportamentos agressivos adequados  situao 
sejam fortalecidos. 
Uma das melhores maneiras de reduzir a agresso  atravs do fortalecimento de outras respostas 
que tenham valor funcional. Verifica-se, por exemplo, que pessoas que recorrem  agresso fsica 
para resolver seus conflitos interpessoais geralmente tm baixa habilidade verbal (da a maior 
incidncia de agresso fsica na classe social baixa). Uma vez aprendendo a resolver verbalmente 
este tipo de conflito, o comportamento de agresso fsica decresce. Outra maneira de modificar o 
comportamento agressivo  atravs da apresentao de modelos que exibam respostas socialmente 
aceitas (cooperao, por exemplo). J em 1942, Chittendem demonstrou como esses efeitos podem 
ser obtidos. Crianas muito dominadoras e agressivas observaram e discutiram sobre uma srie de 
interaes representadas em teatrinho de bonecos, em que estes, representando crianas, 
demonstravam alternadamente maneiras agressivas e cooperativas de resolver conflitos 
interpessoais tpicos a crianas. Alm disso, as conseqncias da agresso apareciam 
204 
205 



1. FASE DE AQUISIO 
II. FASE DE 
EXTINO 
1
. 
Reforo 
Continuo 

A. Nenhum 
. - 
B. Punioo 
reforo 
2
. 
Reforo 
reforo 
inconsistente 1 )5Q% positivo, 5O% 
punio) 
A. Nenhum 
B. Punio 
reforo 
3
. 
Reforo 
inconsistente II 
(50% reforo 
A. Nenhum 
reforo 

positiv
o, 
5Q0/ nenhum 
reforo) 
B. Punio 


como desagradveis e as de cooperao como agradveis. Em uma das situaes, por exemplo, dois 
meninos brigavam para ficar com um carro; durante a briga, o carro quebrou-se e os dois meninos 
terminaram tristes. Em contraste, a alternativa cooperativa mostrou os meninos divertindo-se 
enquanto alternavam a vez de brincar com o carro. Chittendem utilizou-se principalmente do efeito 
de modelo e de reforo vicrio. Modernamente recomenda-se uma combinao desses fatores com 
reforos ao sujeito tambm. Uma vez adquirido o comportamento desejado, deve-se arranjar 
situaes em que o comportamento receba reforos positivos. No caso de uma criana 
hiperagressiva, deve-se arranjar situaes para que os comportamentos cooperativos ainda 
fragilmente estabelecidos atravs da exposio a modelos cooperativos recebam reforos positivos, 
do contrrio, pode-se no conseguir o efeito desejado. Suponhamos uma situao em que uma 
criana acostumada a obter o brinquedo que quer, arrancando-o das mos dos companheiros,  
exposta a modelos cooperativos e tenta agora obter o brinquedo pedindo ao companheiro se pode 
brincar junto. Se a conseqncia for positiva (o companheiro concorda), o comportamento tender a 
se fortalecer; j se o pedido recebe um no, o comportamento cooperativo dificilmente tenderia a se 
manter. 
Mesmo na pr-escola, algumas crianas so bem mais agressivas do que outras. Patterson (1982) 
estudou um grupo de meninos de trs a oito anos de idade, que tinham sido rotulados como sem 
controle pela escola ou pelos pais. Depois de estudar esses meninos em seus lares, ele concluiu que 
a agresso  um problema de ambiente familiar. Patterson e seus colaboradores registraram cada 
vez que um membro da famlia criticou outro, resmungou, recusou-se a atender a um pedido ou 
ordem, gritou, destruiu um objeto, bateu, empurrou, ou atirou um objeto, implicou, comandou ou 
chorou. Para a finalidade da pesquisa, todos esses atos foram classificados como coercitivos, Os 
eventos foram registrados em seqncia temporal, de modo que os episdios completos pudessem 
ser analisados posteriormente. Famlias que no tinham crianas-problema foram observadas para 
comparao. 
Patterson verificou que as crianas sem controle se envolviam em um nmero trs vezes maior de 
atos coercitivos do que as outras crianas. Mas os membros de suas famlias tambm usavam 
ameaas e fora. Em outras palavras, as rela e 
de famlia so mutuamente coercitivas. Patterson salienta que o comportamento agressivo no  um 
ato isolado, mas uma cadeia de interaes. Patterson melhorou o Comportamento dessas crianas 
ensinando aos pais a modificar seu comportamento coercitivo: a serem claros e consistentes a 
respeito do que esperam da criana; a reagir com firmeza, mas de forma no violenta quando a 
criana no obedece; a deixar a criana esfriar quando est encolerizada; a recompensar o bom 
comportamento com abraos, elogios e privilgios; e a discutir maneiras nocoercitivas de resolver 
os problemas quotidianos da criana. 
Inmeros tpicos poderiam ainda ser discutidos com relao a agressividade. Este captulo focalizou 
alguns enfoques mais recentes e salientou a importncia do assunto para uma Psicologia do 
Desenvolvimento que traga contribuies relevan-, tes aos problemas da sociedade contempornea. 
As pesquisas brasileiras sobre agresso tm seu fundamento em diversas correntes tericas. Um 
exemplo de trabalho dentro de orientao psicanaltica  o de Sattler (1979) sobre a relao entre 
acidentes infantis e agresso. A autora argumenta que ambientes seguros no resolvem o problema 
da predisposio para acidentes, porque h fatores psicolgicos que levam a acidentes. Como 
evidncia para isso, cita estudos sobre suicdio na infncia e na adolescncia, relacionados com 
comportamentos autodestrutivos na primeira infncia. Heinman (1969), Menninger (1971), Knobel 
(1972) e outros fornecem a fundamentao terica para esse estudo de Sattler. A hiptese explcita 
foi a de que manifestaes agressivas no Teste de Atitudes Familiares (Jackson, 1973) so mais 
freqentes em crianas que tiveram acidentes do que entre as que no os tiveram. A amostra foi 
constituda por 60 sujeitos cuja idade variava de seis a onze anos, de ambos os sexos. O grupo 1 era 
constitudo por crianas que se acidentaram e foram atendidas no Hospital Municipal de Pronto 
Socorro de Porto Alegre por causa de ferimentos no causados por outrem ou pelo ambiente. O 
grupo II era formado por crianas de trs escolas pblicas e uma particular, que no tiveram 
atendimento mdico nem presumivelmente tinham sofrido tal tipo de ferimento. Foi utilizado o 
sistema de avaliao do teste elaborado por Cibils (1978), e uma avaliao cega foi feita por outra 
pesquisadora. Os resultados revelaram que as crianas acidentadas tinham mais sentimentos de 
rejeio e ansiedade persecutria. Sattler con207 
206 
cluiu que a agresso autodirigida contribui para acidentes e discute seus resultados no contexto das 
noes tericas de Melanie Klein e outros autores de orientao psicanaltica. Este estudo foi aqui 
mencionado porque constitui um dos poucos estudos psicanalticos brasileiros que utiliza um modelo 
emprico e quantitativo. 
Vasconcellos (in Fleck, 1981) estudou a agresso em menores institucionalizados de Porto Alegre. 
Seu resultado principal, contrrio s expectativas, foi de que jovens de 16 a 18 anos, que roubam, 
mostram a mesma quantidade de agresso que aqueles que matam. Alm disso, ambos os grupos 
demonstraram maior agresso do que um grupo de controle. Com base na teoria psicanaltica, 
Vasconcellos sugere que fatores internos como ansiedade, culpa e depresso levam  delinqncia. 
Embora ela admita o papel do ambiente, especialmente as condies de pobreza, e aprendizagem de 
mais comportamentos agressivos nos reformatrios, sua nfase  nitidamente em fatores internos. 
De acordo com a teoria psicanaltica, ela trata a delinqncia como um efeito da insegurana, que, 
por sua vez, leva  ansiedade. Quando a ansiedade se torna insuportvel, precisa ser expressa, e a 
pessoa se torna agressiva. A agresso interna predisporia ao roubo ou ao assassinato. Uma vez que 
o crime  realizado, maior ansiedade geraria culpa e depresso, e a pessoa ficaria presa de um 
crculo vicioso. 
Como esses dois exemplos de pesquisa demonstram, a teoria psicanaltica da agresso parece ser 
muito popular entre os psiclogos brasileiros. Jablonsky (1978) devotou uma tese de mestrado a um 
exame crtico da noo de catarse. Jablonsky defende a noo de que embora a teoria psicanaltica 
permita uma noo de catarse da agresso, Freud mesmo nunca afirmou explicitamente isso, nem 
mesmo em sua famosa carta a Einstein (Por que guerra?). Jablonsky acha que Freud sups que a 
possibilidade de o ser humano ter agresso diminui  medida que a energia  canalizada para outros 
objetivos num processo semelhante ao da sublimao da libido.  um modelo hidrulico, mas  
interessante notar que Freud nunca falou de sublimao da agresso da mesma forma que falou de 
sublimao da libido. Isto pode ter levado  confuso e  noo popular de que catarse da agresso 
 uma noo freudiana. Em suma, Jablonsky afirma que a catarse da agresso  teoricamente 
possvel como implcita no quadro terico de Freud, mas que no foi afirmada por Freud. 
208 
Dentro do enfoque da Aprendizagem Social, Socci (1977) investigou os efeitos da observao de 
modelos agressivos mediados por filmes, em corrente natural. Os sujeitos foram adolescentes 
institucionalizados, de uma instituio pblica (FUNABEM). Nesta instituio, em particular, no 
havia adolescentes com registros de comportamento anti-social. A escola era localizada no Rio de 
Janeiro. O estudo baseou-se no conhecido trabalho de Bandura (1973) sobre agresso, que 
considera agresso como um comportamento aprendido e no inato e enfatiza o papel dos modelos 
e, em grau menor, o do reforo do comportamento agressivo, O estudo de Socci foi inovador porque 
foi conduzido num ambiente natural, com os sujeitos desconhecendo que um experimento estava em 
curso. A amostra consistiu de 48 adolescentes, de ambos os sexos, com idades de 11 a 18 anos, e 
freqentando a 5, 6 e 8 sries, no apresentando dificuldades escolares. Todos os sujeitos 
pertenciam ao nvel socioeconmico baixo. As hipteses do estudo foram: 
1) H um nmero maior de comportamentos imitativos agressivos nos grupos mais jovens do que 
nos mais velhos; 
2) Os meninos apresentam maior nmero de comportamentos agressivos do que as meninas. 
3) Haver maior incidncia de comportamentos agressivos depois da exposio a filmes agressivos 
do que a filmes neutros. 
As hipteses so baseadas na teoria de Bandura e em pesquisas especficas como as de Fein (1973) 
que verificou que crianas mais jovens imitam mais do que crianas mais velhas, em situaes de 
soluo de problemas e de competio. 
O procedimento foi descrito da seguinte maneira: Depois das atividades dirias e do jantar, os 
estudantes podem usar livremente as salas de recreao onde podem jogar, ver televiso, assistir 
filmes no auditrio, praticar esportes, ficar no ptio, ou mesmo, no caso dos mais velhos, ir a um 
cinema ou festa fora da instituio. No pavilho masculino, doze inspetores em cada uma das trs 
turmas, supervisionam a disciplina durante este perodo livre. No pavilho feminino, tambm h um 
perodo de recreao antes da hora de dormir. Esta foi a hora destinada ao trabalho experimental. 
209 
A 
As categorias de comportamento agressivo foram definidas operacionalmente da seguinte maneira: 
Agresso fsica direta (brigar, bater, socar, chutar, arranhar, beliscar, dar com o cotovelo, atirar um 
objeto, bater com um objeto); agresso indireta (recusar um favor, desobedecer, debochar, bater 
portas ou janelas, atirar objetos no cho, destruir propriedade alheia, ofender com gestos); e 
agresso verbal direta (provocao verbal com ou sem palavres, desafiar, criticar, humilhar, 
debochar, ridiculizar, praguejar, dizer coisas ruins a respeito de um colega para outro, perturbar). 
Os inspetores que trabalhavam regularmente com as crianas foram treinados para ser os 
observadores. Durante o perodo de treinamento dos observadores, os seis inspetores mais eficientes 
foram selecionados para participar no projeto de pesquisa. O experimentador enfatizou a 
importncia de no discutir o tpico da pesquisa com os sujeitos. Durante o perodo de treinamento, 
a fidedignidade entre os observadores foi de 92 por cento (valor mdio). 
Os sujeitos foram levados para a sala de projeo e assistiram a filmes (descritos a seguir) 
juntamente com os seis inspetores que tinham sido treinados como observadores para a finalidade da 
pesquisa. A observao comeou logo depois de terminada a projeo, quando os sujeitos saam da 
sala, preenchiam um questionrio e caminhavam para seus aposentos. 
O experimento foi apresentado aos sujeitos como um levantamento das preferncias de 
adolescentes em relao a filmes comerciais. O questionrio distribudo ao final da sesso justificava 
esta explicao, embora sua finalidade real fosse a de verificar se os filmes agressivos eram 
realmente percebidos como agressivos, o grau de interesse despertado, etc. A experimentadora 
assistiu ao filme da cabine do operador, e deixou a instituio depois de recolher os questionrios. O 
procedimento experimental no interferiu absolutamente com a rotina dos alunos, uma vez que era 
costume assistirem a um filme uma vez por semana. Dois filmes neutros foram mostrados antes do 
procedimento experimental comear. 
Os filmes eram filmes comerciais comuns, obtidos de uma rede de televiso, escolhidos pela 
experimentadora, de acordo com seu contedo agressivo. O primeiro filme era neutro, para a 
finalidade de estabelecer uma linha de base de com- 
portamentos agressivos. Na segunda semana, um filme agressivo foi mostrado. Os filmes agressivos 
tinham sido escolhidos no apenas em termos de seu contedo agressivo, mas tambm como uma 
tentativa de eliminar outros contedos culturalmente irrelevantes, como filmes de guerra, cow-boys, 
gangsters e ndios. Duas semanas depois, foi mostrado outro filme agressivo, a fim de permitir a 
verificao do efeito cumulativo de modelos agressivos. Um quarto filme, uma semana mais tarde, 
foi neutro, e serviu  finalidade de follow up. Uma anlise de contedo das respostas aos 
questionrios confirmou que os filmes agressivos escolhidos pela experimentadora foram 
percebidos como mais violentos, brutais, agressivos e cruis, ao passo que os filmes neutros foram 
considerados como divertidos. 
Os resultados confirmaram a segunda hiptese, com meninos demonstrando maior agresso 
imitativa do que as meninas. 
A hiptese 1, no entanto, no foi confirmada. No houve efeito significativo do fator idade. Houve 
apenas uma diferena significativa entre o grupo de 14-15 anos e o de 17-18, no primeiro filme 
agressivo. Um teste dos efeitos de follow up mostrou que, depois de uma semana, no houve 
resduos da exposio ao modelo agressivo. Os efeitos cumulativos da exposio aos filmes 
agressivos ocorreram para meninos mas no para meninas. Socci (1977) especulou que a diferena 
de idade pode no ter aparecido porque o grupo mais jovem era fisicamente menor, e pode no ter 
expressado comportamentos agressivos imitativos por causa do medo de retaliao pelos grupos 
mais velhos. 
Considera-se este estudo um exemplo de uma pesquisa cuidadosamente realizada sobre agresso, 
executada no Brasil, de acordo com o paradigma da teoria de aprendizagem social, tendo como sua 
maior contribuio o fato de que foi conduzida num ambiente natural, mas preservando muito do 
rigor experimental. 
Outro estudo bem feito nessa linha foi o de Arago (1975) que tentou um procedimento de 
modificao de comportamento empregando modelos cooperativos apresentados em oito seqncias 
de slides, cada srie consistindo de um episdio cooperativo significativo, acompanhado de gravao 
sonora. Um exemplo de tal seqncia mostra um menino e uma meni 210 
211 
na um pouco mais nova, tentando abrir um copo de iogurte, e obviamente tendo dificuldade para 
isso. O menino ajuda, eles conseguem abrir o copo e ambos tomam o iogurte, demonstrando 
satisfao, com dois canudinhos no mesmo copo. O objetivo do trabalho era diminuir comportamento 
agressivo atravs do aumento de comportamentos cooperativos. 
Um exemplo de pesquisa baseada na teoria de atribuio e na teoria de drive de agresso  a 
pesquisa descrita 
a seguir, de Rodrigues e Jouval (1969). Fundamentada na teoria 
de atribuio de Heider (1958) e nos acrscimos de Berkowitz 
 hiptese de frustrao-agresso, as seguintes hipteses foram testadas: 1) Em qualquer relao 
interpessoal frustradora, 
a ligao afetiva entre as pessoas frustradas e as frustradoras 
determinar as atribuies da primeira; 2) Qualquer evento interpessoal frustrador sempre leva  
raiva na pessoa frustrada; 
3) Reaes agressivas ocorrero apenas quando a pessoa frustrada atribuir causalidade pessoal ao 
agente frustrador. 
O procedimento experimental consistiu em mostrar um slide apresentando uma verso modificada 
do teste de Rosenzweig, a 84 estudantes do primeiro ano da PUC/Rio de Janeiro. Houve duas 
condies experimentais e uma de controle, cada uma com 14 rapazes e 14 moas, aleatoriamente 
distribudos. Os sujeitos foram instrudos a colocar-se na posio da pessoa frustrada que aparecia 
no slide, e escrever sua resposta ao agente frustrador. A seguir, foram solicitados a indicar em uma 
escala de 90 milmetros: a) a probabilidade de um motivo indicando causalidade impessoal que tenha 
sido razo para o frustrador; c) a intensidade da raiva mobilizada pelo evento frustrador e; d) a 
intensidade da agresso instigada pelo evento frustrador. 
Em uma das condies experimentais, os sujeitos foram informados de que duas pessoas envolvidas 
na interao interpessoal eram amigas, e na outra, de que eram inimigas. Nada foi dito a respeito da 
ligao afetiva entre as duas pessoas na condio controle. Os resultados confirmaram a primeira 
hiptese e do apoio relativo s outras duas. 
L. Camino, Leyens, e Caveil (1979) na Universidade Federal da Paraba acrescentam uma 
dimenso poltica a essa corrente terica no Brasil. Em um estudo experimental, esses autores 
testaram trs hipteses: 1) Recorrer  violncia  mais 
provvel quando um senso de competncia  levantado em grupos minoritrios; 2) A violncia  
mais forte quando as minorias atribuem responsabilidade por sua situao  maioria e no a uma 
causa impessoal; 3) Controle da agresso aparece entre minorias que esperam uma melhora de sua 
situao, dependendo essa melhora do grupo majoritrio. 
Os sujeitos foram voluntrios, estudantes da UFPb, a quem foi dito que estavam participando de um 
jogo de economia. Estes grupos perdiam nos jogos continuamente, e as duas variveis independentes 
foram atribuio de responsalidade e probabilidade de melhora no futuro. 
O procedimento foi engenhoso e merece descrio detalhada. No primeiro experimento, 30 grupos 
de quatro sujeitos cada participaram, sendo cinco grupos em cada condio experimental. Oito 
sujeitos eram chamados de cada vez. Eles eram recebidos em uma sala de espera, pelo 
experimentador, que apresentava o estudo como lidando com decises de grupo em economia. O 
jogo consistia basicamente de uma competio entre dois grupos, o objetivo sendo o de obter o 
mximo possvel de dinheiro na Bolsa. Cada grupo iniciava com a mesma quantia de dinheiro e 
aes de indstrias fictcias. O jogo consistia de sete tentativas de 15 minutos cada, durante as quais 
os grupos deveriam comprar e vender aes uns dos outros. Os grupos no podiam comunicar-se 
diretamente, mas tinham que agir atravs da intermediao de uma agncia, que, depois de cada 
tentativa, informaria os grupos sobre os novos valores de suas aes. As razes invocadas pelo 
experimentador a fim de explicar a mudana de valores das aes constitua a manipulao da 
atribuio de responsabilidade. Na condio de responsabilidade pessoal, o experimentador 
explicava que as mudanas de valor dependiam de um programa aleatrio estabelecido por um 
computador localizado na agncia. 
O jogo prosseguia. Depois de quatro tentativas todos os grupos ficavam na situao que os autores 
chamaram de minoria. Eles perdiam consistentemente, e parecia que no tinham controle sobre a 
situao. Neste momento, uma segunda varivel independente era introduzida. Por causa das perdas 
repetidas do grupo, a agncia enviava um especialista em economia que chamava a ateno dos 
jogadores para sua situao catastrfica e explicava seu futuro provvel. Para alguns grupos, o 
experimentador declarava que, de acordo com uma conhecida 
212 
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lei da economia, eles tinham uma chance de 100 por cento de melhorar, porque o grupo tinha comprado aes 
de determinada maneira (responsabilidade pessoal) ou porque o programa de computador as tinha 
desvalorizado (responsabilidade impessoal). Para outros grupos, o especialista invocava as mesmas razes 
para declarar que eles tinham uma chance de 50/o de melhorar. Para um terceiro conjunto de grupos, o 
especialista explicava que seria impossvel reverter a situao de perdedores contnuos (condio de 00/o). Em 
todas as trs condies, a palestra do especialista era apoiada por grficos, ilustrativos das diversas 
tendncias. 
Nesse momento, o especialista dizia que eles podiam expressar seus sentimentos e fazer presso sobre o outro 
grupo por meio de choques eltricos. Depois disso, dois questionrios eram preenchidos por cada indivduo. 
O primeiro questionrio consistia em avaliar o outro grupo na base de uma lista de adjetivos bipolares 
apresentados em escalas de sete pontos. O segundo questionrio tinha o objetivo de avaliar o prprio grupo. 
A hiptese a respeito do controle estratgico foi a nica confirmada quando os dados foram analisados por 
meio de uma anlise de varincia. Os grupos que no tinham certeza de seu futuro e que acreditavam que seu 
futuro dependia dos grupos majoritrios revelaram o menor grau de agresso. A discusso da pesquisa 
focalizou a hiptese de frustrao-agresso e questes metodolgicas. 
Em outro estudo, L. Camino e Troccoli (1981) investigaram a percepo da violncia como funo do nvel de 
crena em um mundo justo, .e do tipo de motivao subjacente a atos violentos. Trs amostras (professores de 
psicologia, alunos iniciantes de psicologia e alunos de nvel intermedirio) responderam a questionrios a 
respeito de crena em um mundo justo e tipos de violncia. Os atos violentos foram categorizados em quatro 
tipos quanto  motivao (autopreservao, mudana social, interesse prprio e vandalismo). Os sujeitos 
foram classificados em altos, mdios, ou baixos em crena em um mundo justo. Os resultados a respeito da 
violncia no-legal indicaram que os professores de psicologia e os alunos iniciantes, com baixa crena em um 
mundo justo, perceberam os atos violentos motivados pela mudana social como menos violentos do que os 
de crena alta ou mdia. No houve diferenas sig nificante 
com relao a outros tipos de motivao. Com reta. o  violncia exercida por agentes sociais 
legais, os professores de psicologia com baixa crena no mundo justo classificaram a violncia 
motivada por mudana social como muito mais violenta do que o fizeram os de crena mdia ou alta. 
Alm disso, uma relao negativa entre crena no mundo justo e participao em atividades polticas 
foi encontrada. 
Os estudos relatados aqui no constituem uma cobertura completa das pesquisas sobre agresso no 
Brasil. O objetivo foi apenas o de ilustrar as tendncias de pesquisa, realizadas sob diferentes 
enfoques tericos e em diversos centros de pesquisa. 
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